terça-feira, 21 de maio de 2013

As correntes da Santa Escravidão de Amor

Uma das práticas exteriores da Total Consagração ensinada por São Luis Maria Grignon de Montfort é o uso das correntes de ferro (cf. TVD 236-242). Por mais que não seja uma prática obrigatória usar as correntes, São Luis exorta que é “muito louvável, muito glorioso e útil” que os escravos por amor as usem, desde que tenham permissão de seu diretor espiritual. E porque nos é útil usar as correntes da santa escravidão? 

Primeiramente e principalmente porque elas nos fazem lembrar nossas promessas batismais, pois a Total Consagração a Santíssima Virgem é uma perfeita renovação das ditas promessas. Antes do Batismo éramos escravos do demônio, pois já nascemos com o pecado original. No Batismo nos tornamos escravos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Essas promessas que fizemos no dia do nosso batismo de renunciar a Satanás, suas pompas e suas obras e de nos consagrar ao serviço de Jesus Cristo, no dia de nossa Total Consagração entregamos nas mãos da Ss. Virgem por essas palavras: “Eu, infiel pecador, renovo e ratifico hoje, nas Vossas mãos, as promessas do meu Batismo: renuncio para sempre a Satanás, as suas pompas e suas obras, e dou-me inteiramente a Jesus Cristo... E para lhe ser mais fiel do que até agora tenho sido, escolho-vos hoje ó Maria, por minha Mãe e Senhora.” 

É como se tomássemos nosso Batismo e entregássemos nas mãos virginais de Maria Santíssima e disséssemos: “Minha Mãe ajuda-me a ser fiel a Deus! Ajuda-me a ser santo!” O Concílio de Sens chegou a conclusão que a principal causa da corrupção dos costumes provinha do esquecimento e ignorância das promessas do Batismo. As correntes nos faz lembrar que não somos mas escravos do demônio, e sim pertencemos a Cristo. Infelizmente, nós esquecemos facilmente das nossas promessas para com Deus. Por isso é útil que carreguemos algum sinal exterior, para que durante o nosso dia-a-dia ao olharmos as correntes nos recordemos de nossa entrega total a Jesus por Maria.

Outro motivo que nos apresenta São Luis para usarmos as correntes, é para que mostremos que não nos envergonhamos de ser escravos de Jesus Cristo, e que renunciamos á funesta escravidão do mundo, do pecado e do demônio. Os judeus não se envergonhavam de usar um cordão na cintura para recordarem de todos os mandamentos do Senhor (cf. Nm 15,38). Por que nos envergonharíamos de usar as pequenas correntes que nos fazem lembrar nossas promessas batismais? 

Quando usamos as correntes também ganhamos a oportunidade de sermos apóstolos da Total Consagração, pois as pessoas acabam perguntando-nos o significado de trazermos em nosso corpo tão desprezível objeto, e aí temos a oportunidade de falar sobre a consagração. Às vezes também muitas pessoas tentam zombar e nos acusar por causa das correntes, principalmente os protestantes que nos dizem frases como essa: “Você está atado! Jesus já nos libertou!” E esse tipo de frase acaba sendo profética, pois realmente estamos atados, atados a Jesus e a Maria por vínculos de amor! E participamos de modo especial do paradoxo da verdadeira liberdade da escravidão por amor. Não trazemos mas as correntes da escravidão do demônio, do mundo e da carne, mas sim as correntes gloriosas da escravidão voluntária e por amor a Jesus e Maria, e “talvez no dia da ressurreição da carne, no grande momento do juízo final, essas cadeias, que lhes ligarão ainda os ossos, constituam parte de sua glória e sejam transformadas em gloriosas cadeias de luz” (TVD 237). 


Outro motivo que temos para abraçar essa prática exterior é o exemplo dos santos, a começar pelo próprio São Luis Grignon que trazia como penitência uma corrente enrolada por todo seu corpo. Seus biógrafos dizem que ele não conseguia sequer fazer uma reverência profunda, pois suas correntes não permitiam. Santo Odilon se consagrou publicamente como escravo da Santíssima Virgem e passando ao pescoço uma corrente recitou a seguinte fórmula: “Ó benegníssima Virgem e Mãe de meu Salvador, desde este dia até á minha morte, tomai conta de mim como de vosso escravo”. O Santo Cura d´Ars incentivava que os escravos por amor mandassem benzer as correntinhas e as usassem. A beata Inês de Langeac quando ainda criança ouviu uma voz que lhe disse: “Torna-te escrava da Santíssima Virgem, e Ela te protegerá contra os teus inimigos!” No mesmo dia ela se consagrou como escrava da Virgem Maria e por sinal da sua escravidão, passou ao redor do pescoço e cruzou sobre o peito, e amarrou em volta da cintura uma corrente de ferro, que conservou a vida inteira. Esta corrente chegou a penetrar tão profundo em suas carnes, que se tornou invisível. Apareceu-lhe um dia a Santíssima Virgem e lhe pôs ao pescoço uma corrente de ouro, em prova da alegria que lhe tinha causado ao fazer-se escrava sua e de seu Filho.

Por último, uma grande razão para abraçarmos essa prática são as promessas que trazem na bênção própria das correntes composta por M. Boudon, provavelmente a mesma que usava São Luis. Na oração de bênção o sacerdote pede a Deus: 1°) que aquele que traga a corrente seja libertado da escravidão do mundo e do poder do diabo; 2°) que as correntes sejam para os que a usem um sinal de presságio, para que os que o odeiam, vendo as correntes fiquem confundidos; 3°) que envie um Anjo, para que cuide e os favoreçam em todos seus caminhos; 4°) que sinta continuamente a ajuda da divina providência todos os dias de sua vida e na hora da morte; 5°) que alcancem a virtude da verdadeira humildade e uma renovada castidade; 6°) que sejam livres da corrupção da carne, dos perigos das tentações e das seduções deste mundo; 7°) que tenham uma autêntica conformidade com a santa vontade de Deus; 8°) que obtenham o espírito de caridade e o dom da paciência; 9°) que destrua seus pecados para que o remordimento de sua consciência não lhes faça dano; 10°) que deixem de lado o homem velho com todos os seus modos de atuar e se vistam com o homem novo; 11°) que derrote todos os inimigos; 12°) e que por intercessão da Virgem Maria, a graça de Deus não os abandone.

Não deixemos enganar por falsos pretextos para não usarmos as correntes da Santa escravidão, pois como ensina São Luis em relação a essa prática de usar as correntes, seria “pernicioso desprezá-la e condená-la, e perigoso negligenciá-la”. Por fim exclamemos com o santo de Montfort: “Ó cadeias, mais preciosas e mais gloriosas do que os colares de ouro e de pedras preciosas de todos os imperadores, pois que nos ligam a Jesus Cristo e a sua Santa Mãe, e representam para nós suas gloriosas marcas e librés.” 

Ir. Pio do Santíssimo Mistério do Calvário.
“Quotidie morior”

8 comentários:

David Lima disse...

Ainda não me consagrei, estou esperando recomeçar as formações, mas certamente usarei as Correntes da Santa Escravidão.

Lylia petrilly disse...

Irmão Pio sou eu Lylia do " Ermo " saudades do senhor dê notícias

Anônimo disse...

Lylia, quanto tempo..... Estou bem, gracas ao Bom Deus! Continuo morando no Paraguai, seguindo os meus estudos. Perdi o seu endereco e o seu telefone, por isso nao entrei mais em contato, me envie nesse email o seu endereco casasanpablo.arca@gmail.com
Forte abraco!
Que Deus te abencoe.
Ir. Pio do Santissimo Misterio do Calvario
"Quotidie morior"

Daani disse...

Boa noite, eu sinto em meu coração que tenho que me entregar a Nossa Senhora e usar a corrente, mas não sei como, vc pode me ajudar? Dani

Anônimo disse...

Daani, Salve Maria!
Na verdade a doutrina sobre a entrega Total a Nossa Senhora está ensinada por São Luis Maria Grignon de Montfort, no livro Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Então, o primeiro passo é ler o livro, e depois se preparar durante 30 dias, direcionando suas orações e meditações para se esvaziar do espirito do mundo, para conhecer a si mesmo, para conhecer Nosso Senhor e Nossa Senhora, e depois da preparação fazer a consagração, de preferencia em uma festa mariana. Em vários lugares existem os grupos de consagração, onde ensina a Verdadeira devoção a Nossa Senhora e prepara as pessoas para se consagrarem. Espero que tenha ajudado.
Ir. Pio do Santíssimo Mistério do Calvário.
"Quotidie morior"

Juliana Thais disse...

Alô, irmãos, salve, Maria! Depois de ler o livro de São Luís Maria Grignion de Montfort, também é muito útil o livro Consagração a Nossa Senhora, de D. Antônio Maria Alves de Siqueira, que explica passo a passo como é que faz essa consagração. Essa devoção é mesmo in-crí-vel e deve ser divulgada. Ainda não sei onde encontrar essas correntes, mas pretendo colocá-las na alma, e depois usarei externamente. Moro em Niterói, RJ, existem grupos de consagração por aqui?

Anônimo disse...

Salve Maria, as correntes irmão, pode ser encontrada em materiais de construção! Abraço, paz e bem!

Alan blog's! disse...

Salve Maria,
Sou escravo há pouco tempo, me consagrei a esta augusta Mãe no dia 25 de março, neste ano. Gera morte para nós mesmos e nascemos para fazer divinamente as suas vontades a Jesus, juntamente com a Maria.
Paz e bem!