domingo, 11 de dezembro de 2016

A participação das crianças na Santa Missa - Parte 4

Nesta penúltima postagem sobre "A participação das crianças na Santa Missa", venho tratar de algumas motivações que podem ser melhor observadas pelos pais, e consequentemente repassada para seus filhos. Digo motivações no sentido de que essas observações que serão expostas, podem ajudá-los numa compreensão mais adequada da Santa Missa e por conseguinte, na participação frutuosa de toda a família na celebração.

Antes de adentrar no assunto, gostaria de fazer algumas advertências importantes. Lembrem-se que cada família tem sua particularidade e que as experiências aqui expostas podem, na medida do possível, serem aplicadas com os filhos, todavia, não necessariamente da mesma forma. Cada criança tem sua personalidade específica e cabe aos pais moldarem seus filhos de acordo com essas especificidades. Isso não quer dizer que devemos admitir que a criança faça "do seu jeito". Aqui, a autoridade pesa sobre os pais que são os primeiros e principais educadores. Abrir mão dessa condição é negligenciar uma tarefa essencial e um dever primordial na vida de um pai e de uma mãe. Por isso, reitero que não há "respostas prontas", mas princípios que norteiam a vida de uma família inserida na Igreja, tais como a obediência, o respeito ao sagrado, o amor a Jesus, etc.

Além do que já foi exposto nas três primeiras postagens, os pais precisam compreender que a Missa não é uma simples obrigação, um fardo ou 1 hora ou mais de tédio semanal... Quem pensa dessa forma não conhece nem ama a Sagrada Eucaristia. Muitos que se dizem católicos vão para a igreja e por muito pouco se irritam por isso ou por aquilo que acontece durante a celebração. Há, na maioria das vezes, uma considerável ignorância ou desconhecimento de muitos a respeito da Santa Missa, até mesmo por não prestarem atenção nas homilias, nos gestos que são realizados durante a celebração, nas leituras proferidas, etc., bem como na formação catequética que tiveram. Na verdade, só conseguiremos orientar corretamente nossas crianças na Missa, se entendermos que "na última ceia, na noite em que foi entregue, nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue. Por ele. perpetua pelos séculos, até que volte, o sacrifício da cruz, confiando destarte à Igreja, sua dileta esposa, o memorial de sua morte e ressurreição: sacramento da piedade, sinal da unidade, vínculo da caridade, banquete pascal em que Cristo é recebido como alimento, o espírito é cumulado de graça e nos é dado o penhor da glória futura." (Constituição Sacrosantum Concilium, n. 47).

Dito isto, a catequese sobre a Missa geralmente começa em casa (já falamos disso anteriormente), ou melhor, ANTES, DURANTE e DEPOIS da celebração. Mas como?

a) ANTES: Domingo, dia do Senhor, seja acordando mais cedo ou se preparando para ir a Missa a tarde/noite. Os pais arrumam suas crianças e geralmente dizem: "Como você está bonito!". Mas por que não acrescentar? "Hoje é dia do Senhor, precisamos nos arrumar para irmos ao encontro de Jesus na Missa". "Bom dia crianças! Hoje é dia do Senhor! Vamos ao encontro do Rei da nossa família!". E por aí vai... Seja no carro ou caminhando até a igreja, um diálogo simples sobre o tempo litúrgico, as festividades que se aproximam, a necessidade de se comportar na Missa, etc., podem ser pontos valiosos nessa "catequese".
b) DURANTE: Obviamente que os pais não vão ficar dando "sermão" nos filhos nem explicando cada palavra que disse o padre, mas dependendo da inquietude da criança, os pais podem começar a explicar-lhes algo. Uma imagem de Nossa Senhora ou o Crucifixo que está no altar; a letra da música cantada pelo coral; os gestos do sacerdote; o ajoelhar-se; o toque do sino; a benção; a aspersão da água benta; o caminhar no momento do Ofertório e da Comunhão. Vale lembrar que essas orientações são ao "pé do ouvido", sem incomodar quem está do lado. Aos poucos vocês perceberão que a Liturgia em si "fala"! E a criança sendo bem orientada, começa a "escutar" a Liturgia. Recentemente, nosso filho caçula viu um coroinha se aproximando com o turíbulo... Observei que seu semblante mudou imediatamente. Os olhos já não piscavam e o garoto estava boquiaberto... Aproveitei a oportunidade e falei do incenso, da fumaça que sobe ao céu assim como as nossas orações a Deus. E vi que aquilo teve sentido para ele, mesmo sem entender muito.

Orientar para que eles se ajoelhem no momento oportuno ou fiquem de pé ou sentados em outros, é outra questão relevante. Ah, mas ele é muito pequeno e vai doer os joelhos... dirão alguns. Se assim pensam, não conseguem imaginar que mais tarde o peso de não conhecer a Deus será muito mais doloroso. As crianças, na grande maioria das vezes, imitam seus pais. Por isso, deem o exemplo! Não cobrem algo deles se vocês não fazem.

Desde o nascimento de nossa primogênita, cultivamos neles um amor e zelo por Jesus Sacramentado. E uma das formas de ensinar isso é após a Comunhão, no momento mais conhecido como "ação de graças". Geralmente, abraço meu filho ou minha filha e peço para que escutem o Coração de Jesus batendo. "Ah, escutei! Jesus está aí?" Certa vez perguntou o caçula. "Sim, Pedro, está aqui no meu coração. Vamos agradecer a Jesus por nossa família, por nossas vidas?" Dificilmente a criança se negará a um ato tão puro e singelo. Numa dessas oportunidades, ele olhou para Jesus que estava em meu coração e disse: "Aaarrrrrggghhhhh, eu sou um dinossauro!". Quase morro de rir na Missa, mas fiquei feliz porque ele entendeu que Alguém ali estava, e era Jesus. São momentos tão simples, mas ao mesmo tempo, muito significativos na formação do cristão.

c) DEPOIS: Após a Missa, a nossa missão está apenas começando. É preciso que tudo aquilo que experimentamos minutos antes, seja transformado em ações, em orações, em mudança de vida. E nós enquanto pais devemos lembrá-los disso. Por que não pegar um trecho do Evangelho proclamado naquela Missa e conversar com as crianças? Por que não explicar algum detalhe daquele dia que não foi possível ser dito no momento da Missa? Por exemplo: neste 3º domingo do Advento, o Domingo Gaudete (porque alegremente e ansiosamente aguardamos a chegada do Natal do Senhor), os paramentos litúrgicos são da cor rosa, assim como no 4º domingo da Quaresma - Domingo Laetare. Então, será que a criança percebe algo "diferente" na igreja? Essa foi minha pergunta de hoje a Maria Clara (7 anos), que após um giro de 360º com seu olhar, disse: "A roupa rosa do padre!".

E assim vamos cultivando neles o amor a Jesus Eucarístico, pois acreditamos piamente que da Eucaristia emana todo o bem que necessitamos. Na Santa Missa temos um verdadeiro encontro pessoal com Jesus. E as crianças também são convidadas para esse encontro. Por isso, amados pais, criem oportunidades para que esses encontros ocorram com frequência, e que estes sejam frutuosos. Por fim, lembrei agora de várias biografias e escritos de santos que já li. É impressionante como boa parte deles foram "chamados" ainda quando crianças, ou seja, na Missa, Deus os concedia a graça de uma fé ardente e enamorada, típica das almas esponsais.

No entanto, se hoje os pais se preocupam mais com a profissão futura dos filhos do que com as suas vocações, fica difícil orientá-los nesse aspecto. É comum a criança dizer que deseja ser médica, policial, advogada, etc. Raríssimas vezes a criança diz que deseja ser santa, ao contrário do exemplo de Santa Teresinha do Menino Jesus. Aqui não pretendo deixar de lado essa preocupação justa dos pais (eu e minha esposa também nos preocupamos com isso), mas acreditamos que esta não é a mais importante. "Portanto, sede santos, assim como vosso Pai celeste é santo" (Mt 5,48). Se eles serão médicos, advogados, policiais... Que sejam médicos santos, advogados santos e policiais santos!

E então, o que está achando dessas partilhas? Fique a vontade para enviar seu comentário ou dúvida, pois muitas situações diferentes ocorrem nas diversas famílias.

De um indigno escravo da Cruz e da Virgem Maria

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O Amor que dá vida

Essa postagem tem como título o mesmo do excelente livro de Kimberly Hahn publicado pela Ed. Quadrante que trata do maravilhoso plano de Deus para o matrimônio. A escolha foi por compreender que o amor entre os esposos gera vida, e entre estes e os seus filhos, continua gerando vida. Nesse sentido, um acontecimento singelo ocorrido na última semana de aula de nossa filha Maria Clara (7 anos) nos chamou atenção.

Sempre soubemos o quanto nossos filhos amam a vida fraterna e a relação entre eles, mesmo com aquelas "arengas" típicas de irmãos. Brincam, choram, irritam, fazem as pazes e se ficarem mais de um dia distantes um do outro, começam a sentir saudades... Com a experiência da quarta gravidez de minha esposa e consequentemente a perda do bebê, uma certa expectativa foi gerada entre eles, o que entendemos ser natural, mas tudo confiamos na vontade do Senhor e continuamos nos colocando a disposição Dele, para que Sua vontade prevaleça em nossa casa.

Maria Clara ao fazer sua atividade escolar em casa (ver foto ao lado), precisava preencher duas colunas, sendo uma com necessidades e outra com desejos. Na coluna da esquerda, a pequena escreveu: água, alimento, saúde e Deus. E na coluna da direita que pedia que fosse escrito os desejos, surgiu o seguinte: ter mais irmãos. Naquele momento, a mãe perguntou: Tem outro desejo que você gostaria de escrever? Respondeu a filha: Não, esse é o único desejo que tenho.

Quando as pessoas se preocupam se um quarto vai dá para duas ou três irmãs ou que elas ao crescerem precisarão de privacidade, se eu terei condições de pagar a escola das crianças ou o plano de saúde, etc., uma criança pede mais irmãos. Mas por que isso? Porque a experiência com os seus irmãos é salutar, é sublime! Escutamos algo semelhante do caçula Pedro José que vive perguntando se a mãe tem um bebê na barriga; enquanto a primogênita sempre questiona quando a mãe ficará grávida novamente... Isso é de uma beleza incomensurável!!! Eles podiam entender que mais irmãos é ter que dividir suas coisas e enxergar nisso algo ruim, mas não. Compreendem que esse dividir/partilha é natural de uma família que busca estar junto em todas as circunstâncias, seja na fartura, seja na dificuldade. Para dá um exemplo mais claro, recentemente todos de casa, com exceção de Pedro José que é bem pequeno, assumimos algumas tarefas que antes eram da empregada doméstica que aqui viveu durante uma década. Agora com sua saída, tivemos que nos virar... E então, uma lava a louça, outra enxuga, outro arruma e por aí vai. Então, como querer mais irmãos se o trabalho vai aumentar? Não tem problema, pois se o trabalho aumenta, o amor se torna muito maior entre nós.
Deixo claro que partilho nossa experiência com quatro filhos (sempre contamos com nosso bebê no céu), o que não necessariamente é a realidade dos demais casais. Sempre desejei uma "casa cheia" de crianças e lembro das conversas com minha esposa, na época namorada, que eu divagava sobre a mesa com as cadeiras completas, isto é, rodeada de filhos. Todavia, isso é uma particularidade de cada matrimônio. No entanto, chamo atenção para aquilo que a Igreja nos orienta, mesmo sendo justo e aceitável o espaçamento entre os nascimentos dos filhos: "Um aspecto particular desta responsabilidade diz respeito à regulação da procriação. Por razões justas , os esposos podem querer espaçar os nascimentos de seus filhos. Cabe-lhes verificar que seu desejo não provém do egoísmo, mas está de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável. Além disso, regularão seu comportamento segundo os critérios objetivos da moral. (Catecismo da Igreja Católica, n. 2368).

Percebam que esse espaçamento não deve advir do egoísmo. Muito pelo contrário! Cada casal tem suas motivações específicas e aqui não entraremos em questões que só cabe a eles. Entretanto, podemos partilhar das maravilhas que ocorrem quando Deus nos concede a graça de presentear nossos filhos com irmãos!!! Não há presente mais belo! Nesse exato momento que escrevo, escuto as vozes deles brincando de esconde-esconde dentro de casa. Pedro José acabara de passar aqui com a espada dizendo que estava caçando piratas (eheheheh), ou seja, procurando as irmãs (hahahaha). Isso é bom demais!

Vejam o relato do excelente livro Gastando tempo com os filhos de Mannoun Chimelli: “A propósito, uma pesquisa realizada pela Universidade de Valência (Espanha) entre 1600 crianças de 4 a 14 anos, revela que o melhor ‘brinquedo’ que os pais podem oferecer aos filhos é um irmão! Os que são filhos únicos, ou têm apenas um irmão, sentem-se sós, e acabam desenvolvendo carências emocionais e afetivas (a assim chamada ‘síndrome do filho único’) que os colegas de escola ou amiguinhos da vizinhança nunca são capazes de suprir” (p. 24).

Tivemos essa sensação no nascimento de Maria Clara (a segunda gravidez), de Pedro (a terceira) e do bebê (a quarta). Aquela confirmação ("positivo") do exame; aquela consulta no médico ao ver a ultrassonografia, eram mais do que presentes para os irmãos, eram a confirmação de que o amor dá vida! Sempre fui uma pessoa observadora e nesses momentos (na consulta ao médico em que as crianças acompanhavam os pais) eu faço questão de ficar atento nas feições das crianças, na expectativa, nos olhares... É impressionante a alegria que eles sentem.

Kimberly Hahn compartilha no seu livro algo do que tenho dito: "No dia em que David nasceu, os nossos três filhos mais velhos vieram ver-nos ao hospital. Depois de tomar David nos braços, o meu filho mais velho, Gabriel, veio para o meu lado e tomou-me as mãos com carinho. Sussurrou devagar: ‘Mamãe, não encontro palavras para agradecer-lhe’. Os dois ficamos sem respirar; o seu agradecimento emocionou-me. Os filhos são um presente, tanto os crescidos como os pequenos, para nós e entre eles" (p. 169).

Por isso queridos leitores, vale a pena confiar em Deus e acreditar que o amor de uma família se dá principalmente na generosidade, na partilha, na convicção de que o Senhor nos ampara e até mesmo nas renúncias que são comuns numa vida familiar e comunitária. Ah, mas eu preciso trocar de carro, fazer aquela viagem, reformar minha casa, muita conta para pagar... Sabemos disso, mas um filho NUNCA será um fardo para aqueles que amam verdadeiramente. Por isso, a Igreja no Concílio Vaticano II, bem como por meio da Encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI e a Exortação Familiaris Consortio do Papa João Paulo II, só para citar alguns documentos, exortam com muito carinho essas famílias que se abrem à vida: "Devem-se mencionar especialmente entre os esposos que cumprem dessa maneira a missão que Deus lhes confiou aqueles que, de comum e prudente acordo, acolhem, com alma grande, uma prole mais numerosa para ser convenientemente educada (Gaudium et Spes, n. 50).

Por fim, concluo dizendo que a cada dia que passa, somos mais felizes ao vê-los crescendo e tendo a certeza que o sim do matrimônio dá vida em todos os sentidos. Os irmãos são os verdadeiros e fidedignos amigos uns dos outros. Precisamos aprender a cultivar essa generosidade em nossas famílias, e isso começa do amor e do respeito entre os esposos.

"Nunca ouvi ninguém dizer no fim da vida que teria desejado ter um filho a menos, mas ouvi muitas pessoas dizer que teriam gostado de ter ao menos mais um filho" (KIMBERLY HAHN, p. 169).
Quem passa por experiências semelhantes ao que partilhei acima, sabe perfeitamente a alegria de viver assim. Quem ainda não vive realidade semelhante, mas que deseja, continue confiando em Deus e em Sua divina Providência, e faça por onde as coisas aconteçam. Quem discorda do que partilhamos é porque ainda não conseguiu compreender que nesta vida há "bens" muito, mas muito mais preciosos que ouro e prata, e dentre estes estão os filhos. Isso digo com toda convicção. O Natal do Senhor se aproxima e nós continuamos pedindo a Ele que nossos corações se transformem em verdadeiras manjedouras para acolhê-Lo. E se Ele nos conceder a graça imensa de mais uma vez celebrar o "natal" em nossa casa com mais um rebento, a alegria será ainda mais especial. Em Ti confiamos e entregamos tudo que temos e somos. Vem Senhor Jesus!

De um indigno escravo da Cruz e da Virgem Maria

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A participação das crianças na Santa Missa - Parte 3

Inicialmente, registro minha alegria pelo feedback que estou recebendo dessas postagens. Isso é um motivo a mais para continuarmos tentando ajudar de algum modo tantas famílias que se preocupam com a espiritualidade dos seus filhos. Assim, peço que continuem enviando suas dúvidas e comentários, pois vamos acrescentando alguns detalhes anteriormente não imaginados. Se na primeira e segunda partes dessa série de artigos enfatizei alguns aspectos inerentes aquilo que ocorre ANTES da Santa Missa, hoje "adentrarei" na celebração, ou seja, tratarei de assuntos que dizem respeito ao que ocorre DURANTE a Santa Missa, que julgo importantes de serem observados.
Precisamos compreender que cada criança tem suas particularidades e querer enquadrar determinados comportamentos a todas elas, sem distinção, é uma baita "forçação de barra", mas vale salientar que as linhas gerais aqui apresentadas podem tranquilamente ser aplicadas pelos pais, de acordo com a faixa etária do filho, do tempo que essa criança já participa da Missa com os pais, etc. Por que faço essa ressalva? Porque é comum as pessoas fazerem comparações com os filhos alheios. E comumente caem em diversos equívocos de interpretação, sejam de forma positiva ou negativa. Aqui, você deve se preocupar com o seu filho. Faça esforços para orientá-lo, educá-lo e catequizá-lo conforme as orientações da Igreja e não se preocupe se o seu vizinho, o coleguinha da escola ou até mesmo a criança que se senta no banco ao lado na igreja, está "de pernas para o ar" e os pais apenas olhando ou rindo daquela situação. Esse não é um problema seu! Enfim, foque no seu filho.

Desse modo, comecemos por uma das tarefas mais difíceis quando o assunto é a participação das crianças na Santa Missa: a quietude. Como fazer com que o meu filho fique quieto durante a celebração? E agora, quem poderá nos ajudar? E então, o que fazer? Calma, calma, calma! Respire fundo e você verá que isso não é uma tarefa impossível, PORÉM, exige disciplina dos... PAIS (!!!!) que precisam orientar suas crianças. Aqui não entrarei em questões já abordadas nas postagens anteriores, mas vale lembrar que muito do comportamento dos filhos é reflexo das decisões ou omissões dos seus pais, seja no aspecto de permissividade exagerada ou num comportamento exemplar. Dito isto, algumas perguntas podem nos ajudar a esclarecer melhor essas situações:

- Devo ficar "passeando" com meu filho na igreja durante a Missa? Ah, ele é pequeno e muito inquieto, vou ali no jardim paroquial para ver se o tempo passa mais rápido...

- Posso levar pipoca, balinhas ou bolachas recheadas para entreter meu filho na Missa? E o brinquedo favorito dele, por que não?

- E se ele começar a chorar, espernear, se jogar no chão? Ah, meu Deus, eu fico morta de vergonha com as coisas dessa criança! Aff...

Essas perguntas e situações são mais comuns do que imaginamos! E elas ocorrem nas famílias mais diversas possíveis: do sul ou do norte, numerosa ou com filho único, crianças de colo ou pré-adolescentes. Nesse contexto, o que mais percebo é que o "nó" são as orientações dadas (ou não dadas = omissão) e a forma como estas são postas em prática. Ora, se há obediência, alguém emitirá uma ordem ou tarefa e outra pessoa obedecerá. Muitas pais ainda não se deram conta que seus filhos NÃO PODEM ser a pessoa que emite essa ordem. De jeito nenhum! Até porque são crianças e nem sempre sabem qual o melhor caminho a trilhar. Os pais precisam ser conscientes nesse ponto. Não digo apenas ser rígido (porque aqui pode haver certa confusão entre autoridade e autoritarismo), mas consciente de sua tarefa enquanto pai e mãe. Nesse sentido, vamos as perguntas acima elaboradas.

a) Quando conduzimos nossos bebês nos primeiros meses de vida para a igreja, eles ainda não dão os seus primeiros passos. E é justamente aí que começamos a acostumá-los a ficar conosco, seja no colo, nos braços, coladinho a nós no banco. Quando os primeiros passos chegam, geralmente as crianças já não aturam mais ficar no braço, salvo ocasiões de medo, fome, etc. No entanto, é justamente aí que ele precisa começar a escutar que durante a Missa, o lugar é ali junto do pai e da mãe. "Mas ele não entende! É muito novinho!", dirão alguns. Sei disso, mas não impede de você falar e tentar fazer com que ele fique. Esse é um dos momentos mais cansativos (literalmente!) para os pais, todavia, use todas as suas "ferramentas disponíveis": mude do braço da mãe para o do pai; mostre o crucifixo que está perto do Altar; aponte a imagem de Nossa Senhora ali do lado; junte as mãozinhas dele para rezar; na hora do ofertório e da Comunhão leve-o junto.

O que não se deve fazer é na primeira insistência da criança em ir para o chão e querer sair correndo, você automaticamente deixar. Se isso ocorre, todas as outras tentativas se tornarão bem mais difíceis. E se isso já aconteceu? Seu trabalho será redobrado, começando na conversa em casa e sempre "no pé do ouvido". Temos uma comadre que diz que minha esposa fala umas "palavras mágicas" aos nossos filhos (risos...). Essas palavras mágicas são apenas uma "lembrança" daquilo que já conversamos em casa e que eles sabem que precisam obedecer. Se o pai/mãe acha legal passear com a criança na Missa, até porque as pessoas acham "bonitinho" aquele bebê dando seus primeiros passos ou aquela mocinha com um vestidinho rodado tão bonito (e os pais geralmente amam escutar elogios para os seus filhos!), tenho que dizer que tudo isso seria muito interessante se fosse na praça, mas na Missa NÃO é o lugar adequado. Percebam que ela irá se acostumar aquela realidade e futuramente será mais um jovem que não consegue entrar na igreja, ficando o tempo inteiro do lado de fora batendo papo com os colegas; olhando para o relógio agoniado com a hora que não passa; que não para a boca conversando ou os dedinhos teclando no seu smartphone. 

Mas, se depois de todas as tentativas, a criança continuar inquieta, inclusive atrapalhando os demais fieis, o que fazer? Nesse caso é justo sair um pouco do banco e ficar lá no final da igreja por uns instantes. Todavia, não permita que ela vá para o chão e saia correndo ou passeando, pois aí ela terá alcançado o seu prêmio. E a inquietação e enjoo não tardarão em voltar na outra Missa. Se a criança for pequena, continue com ela nos braços até que se acalme e em seguida volte para o banco. Aos poucos ela se acostumará a passar aquele tempo (geralmente entre 1 hora e 1 hora e meia, nos domingos) exclusivamente na companhia dos seus pais.

b) Dá balinhas, pipoca ou outras baganas as crianças durante a Missa é outro equívoco tremendo. Daqui a pouco ela achará que a Missa é um playground ou é como se estivesse numa festa de aniversário do amiguinho do colégio. Não! Ali é a casa de Deus e a família está participando do Santo Sacrifício de Cristo. Deixe as baganas para depois da Missa, quem sabe num passeio pela praça. Para evitar que a criança sinta fome, ela deve fazer sua refeição antes de sair de casa. Nos casos das crianças menores, obviamente que essas devem ser tranquilamente amamentadas ou alimentadas com seu "mingau".

E o brinquedo de estimação? Particularmente não considero interessante, pois o brinquedo pode e certamente tirará a atenção da criança daquilo que é o mais importante - a Missa. Por mais que ela não entenda ainda, a Liturgia por si, recheada de gestos e símbolos, é uma verdadeira "aula de catequese" para a criança. Sobre este ponto falaremos mais adiante.

c) Quando minha esposa ficou grávida pela primeira vez, eu tinha pavor só de pensar que minha filha poderia causar escândalo na frente dos outros, especialmente na igreja durante a Missa. Confesso que até hoje, quando vejo algo parecido, tenho imediatamente pena dos pais, mas ao mesmo tempo, sou muito consciente que a criança só chegou naquela situação por causa da permissividade dos próprios pais. Quando isso ocorre publicamente é porque provavelmente já ocorreu inúmeras vezes em casa. E é justamente lá que essas "arestas" precisam ser aparadas. Lembre-se: você precisa ser o "dono da situação". Um filho é como um belo diamante que aos poucos vai sendo lapidado... Deus nos escolheu para sermos esses artistas (vejam que maravilha de vocação!) que, segundo a Sua vontade, vão moldando seus filhos para se tornarem semelhantes ao Pai, isto é, santos como nosso Pai Celeste é Santo (Mt 5,48).

Por fim, já me alonguei sobremaneira nessa postagem e fico por aqui. Entretanto, pergunto: Quais as suas maiores dificuldades com suas crianças? Deixe seu comentário ou me envie uma mensagem inbox. Será um prazer poder ajudá-lo(a).

Fiquem com Deus, com a Virgem Maria e sempre com o Glorioso São José.

De um indigno escravo da Cruz e da Virgem Maria

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A participação das crianças na Santa Missa - Parte 2

Na primeira parte da série de artigos sobre a participação das crianças na Santa Missa, enfatizei a necessidade dos pais participarem frequentemente da vida eclesial, seja em suas casas, seja nas paróquias/grupo de oração/pastoral em que atuam, pois a a educação para a fé por parte dos pais deve começar desde a mais tenra infância (...) A paróquia é a comunidade eucarística e o centro da vida litúrgica das famílias cristãs; ela é um lugar privilegiado da catequese dos filhos e dos pais” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2226). O testemunho e exemplo dos pais são decisivos para as escolhas dos filhos, que observam e analisam de forma inconsciente todas essas ações e/ou omissões por parte dos seus pais.

Antes de abordar aspectos mais práticos que devem ser observados DURANTE a celebração eucarística, urge dizer que a preparação, ou seja, aquilo que ocorre ANTES da celebração, é deveras importante, pois os pais tem a oportunidade de introduzir seus filhos nesse mistério da fé. Assim, a Missa não será uma coisa estranha, mas algo comum a realidade daquela família. Nesse sentido, algumas dúvidas podem pairar naqueles que me leem ou então, situações semelhantes ocorrem em suas casas e famílias. Por meio desses dois questionamentos, temos o conteúdo desse artigo.
  • A partir de quantos anos devo levar meu filho para a Santa Missa?
  • E se ele não quiser ir?
a) Certa vez, os discípulos de Jesus tentavam afastar as crianças que Dele se aproximava. Foram advertidos pelo Mestre que disse: "Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham" (Mt 19,14). Ora, se na Missa participamos do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o ápice de toda a vida cristã, por que impedir as crianças desse momento sublime participarem? Ah, elas não entendem direito, dirão alguns! Mas criança nessa idade deve pensar apenas em brincar, dizem outros (Vale observar que existem paróquias que criam um "espaço kids" para que os pais participem "tranquilamente" da Missa, o que considero um equívoco significativo, pois os filhos devem estar com seus pais na Missa. Caso frequentem apenas o "espaço kids", mesmo que este seja voltado para uma catequese, nunca se acostumarão na celebração da Missa propriamente dita).

O fato é que não há um limite mínimo de idade. Eu diria que logo após o nascimento, isto é, passado os dias normais de repouso da mãe e da adaptação própria da criança nesse "novo mundo", e exceto em casos de recomendações médicas ou doenças, aquele bebê já pode e deve frequentar a Missa com seus pais. Eis um momento louvável para apresentar seu filho a Deus, mesmo que ainda não tenha sido batizada (o que na minha opinião deve acontecer logo nos primeiros meses de vida). Alguém pode afirmar algo do tipo: "Mas a criança vai só dormir!". Digo: Não tem problema, que durma em seus braços enquanto ali você louva e adora o Senhor que tudo lhe deu, inclusive um belo fruto que modificou sua vida completamente.

Não deixe para levar seus filhos para a Missa quando estiverem maiores ou apenas se for na "Missa das Crianças". Não! Eles devem se acostumar nas celebrações que os pais frequentam, pois caso isso não ocorra, é comum que numa situação em que eles precisem estar com os pais naquela Missa dominical que não é no "estilo da criança", fiquem dispersos, entediados, etc. Por isso, reafirmo que os filhos devem participar da Missa com os pais desde "o berço". Faça isso, você não se arrependerá!

b) Se eu perguntasse aos pais em relação a educação dos filhos: "O que vocês fariam se seu filho não quisesse ir para a escola?" Alguns responderão: "Isso é um absurdo! Ele precisa estudar. O futuro depende dos estudos". "Ele ficaria de castigo e eu passaria um sermão naquela criança levada!". Percebam que quando o assunto é a educação dos filhos, geralmente os pais dão total assentimento no que se refere a importância deste. E eu concordo plenamente. Todavia, quando o assunto é a fé, a educação cristã, a participação na Missa, nem sempre há essa coerência. Mas afinal, o que é mais importante? Certa vez eu disse a minha primogênita, na ocasião de sua Primeira Eucaristia, que o tesouro mais precioso que eu e sua mãe poderíamos deixar era a fé em Deus, o amor a Jesus Eucarístico, a devoção a Virgem Maria...

A fé, meus irmãos, deve ser prioridade em nossas casas! Se o seu filho não quer ir para a Missa, você precisa se indagar: Por que será que ele está dizendo ou se comportando assim? A partir de então, você tem outra excelente oportunidade de conversar com ele e entender suas motivações. Alguns filhos não querem ir para a Missa porque não sentem essa firmeza e vontade dos pais para frequentarem a celebração, pois quando desde cedo frequentam, aquilo se torna "parte de sua vida". A criança chega, inclusive, a sentir falta se não for. Por exemplo: nosso filho Pedro José de 3 anos faz sempre questão de ir depositar nossa oferta material na Missa. Certa vez deixei minha carteira no carro e na hora o garoto começou a chorar com desgosto porque não ia deixar a moedinha lá na frente.
Em outras situações, a criança simplesmente se acostumou a dizer não e os pais a "obedecerem" ao comando do filho. Puxa vida, como isso acontece em nossas famílias! A palavra autoridade parece não mais ser experimentada pelos pais, bem como pelos filhos. Aqui não falo que você vai bater no seu filho se ele não quiser ir para a igreja, mas os pais precisam ter a consciência (e colocar em prática) da  autoridade enquanto formadores, pais, educadores. Mas então, o que fazer?

Certa vez, uma das nossas filhas que na época tinha 5 anos disse, logo ao ser acordada no domingo para participar da Missa às 7hs: "Eu não quero ir para a Missa". Confesso que no momento fiquei irritado, mas tive o equilíbrio necessário para conversar com ela e dizer que é nosso dever estar com Jesus, especialmente aos domingos; que Ele fica aguardando a semana inteira a nossa visita a Sua casa; que ao chegarmos lá, Ele daria um sorrisão típico daqueles que muito amam. E ao mesmo tempo, falei de forma firme que aquilo não era a maneira correta de falar, pois é na Missa que recebemos o verdadeiro alimento de nossas almas. Entendi que ela estava com sono, mas a ocasião foi muito propícia para catequizá-la.

Por fim, existem crianças que após a Primeira Eucaristia nunca mais frequentam a igreja ou quando crescem e estando na fase juvenil, o desinteresse se torna latente e a situação fica complicada. Acredito que cada família tem suas particularidades e precisa intervir da melhor forma, mas sem esquecer que os pais devem utilizar a autoridade na caridade. Quando uma criança com seus 9 ou 10 anos "bate o pé" e diz que não vai, me questiono: O "nó da questão" está na criança ou nos pais que permitiram ela chegar a esse nível? Volto para a comparação com a ida a escola, mesmo que a comparação seja imperfeita. Lembrem-se: os filhos devem obediência aos seus pais, e é seu dever, além de direito, exigir isso deles. Essas palavras podem ser tidas como "autoritárias" no sentido pejorativo, mas posso lhes garantir que não são. Na verdade, são características que os pais precisam aflorar, pois estão lidando com a salvação das almas daqueles que mais amam.

O problema é que muitos pais já não detém o controle dos seus filhos e então qualquer partilha, incluindo esta minha, pode ser inútil, caso os pais não intervenham com firmeza. Se tem uma coisa que desde cedo precisa ser cultivado nas famílias é a obediência. Mas aqui já é tema para outro artigo. Nas próximas postagens, tratarei sobre assuntos que ocorrem DURANTE a Missa. Fique atento as próximas partilhas.

E então, o que está achando das postagens? Comente e envie sua dúvida também. Se perdeu a primeira parte, acompanhe aqui: A participação das crianças na Santa Missa - Parte 1  


De um indigno escravo da Cruz e da Virgem Maria

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A participação das crianças na Santa Missa - Parte 1




Não raramente nos questionam (a mim e a minha esposa) como fazemos para que nossos filhos se comportem durante a Santa Missa. E é justamente sobre isso que farei algumas postagens ao longo dos próximos dias. De antemão, asseguro que não há nenhum segredo específico, mas conversas contínuas para orientá-los da forma adequada tendo em vista o lugar em que estaremos e principalmente sobre o que lá estará acontecendo, ou seja, a Eucaristia, que é “fonte e ápice de toda a vida cristã” (Constituição Dogmática Lumen Gentium, n. 11)

Inicio essa série de postagens enfatizando a necessidade do testemunho dos pais na participação da Santa Missa, em especial, na maneira como enxergamos o Santo Sacrifício de Cristo e obviamente o comportamento dos pais na celebração. Por que isso? Diz o Catecismo da Igreja Católica que “dar bom exemplo aos filhos é uma grave responsabilidade para os pais” (n. 2223). Percebam que o bom exemplo ou testemunho dos pais é fundamental – é uma GRAVE responsabilidade – que deve ser levada em consideração e compreendida, de fato, como uma vocação. Nesse sentido, vale a pena alguns questionamentos exclusivos aos pais?
  • Eu participo frequentemente da Santa Missa? Cumpro meu dever de participar da Missa aos domingos e dias santos? E se participo, levo meu(s) filho(s)?
  • Estando na igreja, sou inquieto(a) ou fico conversando e vez por outra dou uma olhada no celular?
  • Afinal, ao frequentar a igreja, vou de “corpo e alma” ou apenas de “corpo presente”?
  • Se eu não conseguir um banco para sentar-me, fico logo entediado(a) ou tenho o hábito de ficar do lado de fora da igreja que é mais ventilado?
Eu poderia aqui elencar várias outras perguntas, mas essas já dizem muito do bom ou mau testemunho e exemplo dos pais no tocante à participação na Missa, pois se você só vai a igreja esporadicamente, dificilmente seu filho irá se acostumar com aquela realidade. Ademais, para ele, estar naquele lugar será apenas mais um dentre tantos outros que vocês frequentam, o que é prejudicial para a fé da criança, haja vista que a Missa é o centro da nossa fé cristã e isso precisa ser evidenciado também aos pequenos. Ah, mas eles não entendem, são apenas crianças? Dirão alguns. Todavia, a ênfase não se dá apenas pela compreensão teológica sobre o assunto, mas no desejo que temos de estar com o Senhor, no amor que devotamos ao Rei de nossos lares. E isso, posso lhes garantir, as crianças não só percebem, mas buscam imitar os seus pais, pois somos as principais referências para eles. Nesse sentido, desde cedo, os filhos devem ser ensinados quanto à importância de ir para a Missa. Antes de sair de casa, essa catequese já pode ser realizada, bem como no caminho para a igreja, e por que não dizer, após a celebração. 

Se os pais são inquietos, trocam de bancos facilmente, saem da igreja com frequência, utilizam o celular ou ficam com conversas com a pessoa que está do lado, certamente a criança internalizará que aquele ambiente é propício para todas essas coisas. Como exigir de uma criança a quietude e silêncio quando você mesmo assim não se comporta? A vida eclesial não ocorre exclusivamente na igreja, isto é, no templo construído em que as celebrações ocorrem, mas também na “igreja doméstica” que é o lar. É sabido que muito do comportamento das crianças na igreja se dá conforme o comportamento em casa (Lembram do adágio popular? "Costume de casa vai a praça" ou a igreja). Por fim, deixo mais alguns questionamentos que serão discutidos na próxima postagem:
  • O que me impede de levar meus filhos a igreja? Por que eles são barulhentos e irão atrapalhar? O que fazer para que eles, de bom grado, acompanhem seus pais na Missa?
Acompanhe as próximas postagens e, se possível, deixe seu comentário, dúvida e partilha sobre o assunto.

De um indigno escravo da Cruz e da Virgem Maria