sábado, 22 de fevereiro de 2014

A cátedra que nos ensina e revela Jesus Cristo

Iniciei o sábado rezando as Laudes sob os olhares atentos do meu filho Pedro que acabara de acordar e sossegadamente acompanhava o pai entoar o hino da liturgia das horas: "Pedro, que rompes algemas / pelo poder do Senhor, / de toda a Igreja és mestre, / de mil rebanhos pastor: / protege, pois, cada ovelha, / retém do lobo o furor". Paralelamente eu acompanhava pela televisão a cerimônia em que o Papa Francisco criou 19 novos cardeais, dentre eles, o brasileiro Dom Orani Tempesta.

Essa festa da Igreja Católica reveste-se de grande significado para todos nós católicos, pois em Pedro nos sentimos um só povo e um só rebanho. O nome escolhido para o meu filho é sim uma homenagem ao príncipe dos apóstolos, bem como a todos os papas que dignamente guardaram a sã doutrina. Atualmente, toma assento na cátedra de Pedro o Papa Francisco, que com seus gestos simples tem nos ensinado sobremaneira. Essa data também nos remete ao querido Papa Emérito Bento XVI (de "surpresa") que surgiu num ato público na Basílica de São Pedro novamente após o fim do seu pontificado. Ao assistir a cena do encontro entre o Papa Francisco e o Papa Bento XVI, percebi ainda mais os gestos de humildade de ambos, além do sentimento verdadeiro de catolicidade que deve reinar em nossos corações. Lembrei também do dia em que estive naquela basílica (1º de novembro de 2011) tocando de forma simbólico o "pé de Pedro" afirmando integralmente minha total submissão ao representante de Cristo nessa terra. 

O escritor e beato Jacopo de Varazze diz na sua célebre obra-prima: " Há três tipos de cátedras. A real: 'Davi sentou-se na cátedra etc.' (2 Reis, 23). A sacerdotal: 'Eli estava sentado em sua cátedra etc.' (1 Reis, I). A magistral: 'Estão sentados na cátedra de Moisés etc.' (Mateus, 23). O beato Pedro sentou-se na cátedra real porque foi o principal de todos os reis, na sacerdotal porque foi o pastor de todos os clérigos, na magistral porque foi o doutor de todos os cristãos" (Legenda Áurea, p. 268).


Desse modo, trago na íntegra um dos sermões de São Leão Magno (papa - Séc. V), que sabiamente apresenta "A Igreja de Cristo ergue-se na firmeza da fé do apóstolo Pedro":

Dentre todos os homens do mundo, Pedro foi o único escolhido para estar à frente de todos os povos chamados à fé, de todos os apóstolos e de todos os padres da Igreja. Embora no povo de Deus haja muitos sacerdotes e pastores, na verdade, Pedro é o verdadeiro guia de todos aqueles que têm Cristo como chefe supremo. Deus dignou-se conceder a este homem, caríssimos filhos, uma grande e admirável participação no seu poder. E se ele quis que os outros chefes da Igreja tivessem com Pedro algo em comum, foi por intermédio do mesmo Pedro que isso lhes foi concedido.
 
A todos os apóstolos o Senhor pergunta qual a opinião que os homens têm a seu respeito; e a resposta de todos revela de modo unânime as hesitações da ignorância humana. Mas, quando procura saber o pensamento dos discípulos, o primeiro a reconhecer o Senhor é o primeiro na dignidade apostólica. Tendo ele dito: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo, Jesus lhe respondeu: Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu (Mt 16,16-17). Quer dizer, és feliz, porque o meu Pai te ensinou, e a opinião humana não te iludiu, mas a inspiração do céu te instruiu; não foi um ser humano que me revelou a ti, mas sim aquele de quem sou o Filho unigênito.
Por isso eu te digo, acrescentou, como o Pai te manifestou a minha divindade, também eu te revelo a tua dignidade: Tu és Pedro (Mt 16,18). Isto significa que eu sou a pedra inquebrantável, a pedra principal que de dois povos faço um só (cf. Ef 2,20.14), o fundamento sobre o qual ninguém pode colocar outro. Todavia, tu também és pedra, porque és solidário com a minha força. Desse modo, o poder, que me é próprio por prerrogativa pessoal, te será dado pela participação comigo.

E sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mt 16,18). Sobre esta fortaleza, construirei um templo eterno. A minha Igreja destinada a elevar-se até ao céu deverá apoiar-se sobre a solidez da fé de Pedro. O poder do inferno não impedirá esse testemunho, os grilhões da morte não o prenderão; porque essa palavra é palavra de vida. E assim como conduz aos céus os que a proclamam, também precipita no inferno os que a negam.
 
Por isso, foi dito a São Pedro: Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus (Mt 16,19). Na verdade, o direito de exercer esse poder passou também para os outros apóstolos, e o dispositivo desse decreto atingiu todos os príncipes da Igreja. Mas não é sem razão que é confiado a um só o que é comunicado a todos. O poder é dado a Pedro de modo singular, porque a sua dignidade é superior à de todos os que governam a Igreja.

No link a seguir há maiores explicações e curiosidades sobre a Cátedra de Pedro: http://www.veritatis.com.br/apologetica/igreja-papado/9268-a-catedra-de-sao-pedro-trono-do-papa-e-simbolo-da-infalibilidade

Rezemos para que Deus nos conceda a graça de sermos fieis ao Santo Padre e que este Deus bendito abençoe continuamente o Papa Francisco para que ele seja um exímio Pastor do rebanho de Deus. Assim, peçamos juntamente com toda a Igreja: "Concedei, ó Deus todo-poderoso, que nada nos possa abalar, pois edificastes a vossa Igreja sobre aquela pedra que foi a profissão de fé do apóstolo Pedro. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo".

De um indigno escravo da Cruz e da Virgem Maria

Um comentário:

Maria da Fé disse...

Espalhai a Palavra de Deus por onde andastes, levai consigo a fé capaz de mover montanhas e colherás o fruto desse amor incondicional.
http://botefeamor.blogspot.com.br/
Abraços Fraternos