quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A educação e os educadores: um assunto sempre atual

Após a leitura de uma entrevista com o Prof. Armindo Moreira, a respeito do lançamento do seu livro "Professor não é educador", sugestão dada pelo amigo Saint Clair, também professor junto comigo no IFRN. (http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1284181&tit=O-educador-usurpa-uma-funcao-que-e-da-familia), resolver escrever suncintamente sobre. Minha intenção nessa postagem não é comentar sobre o livro do Prof. Armindo, até porque sequer li ainda, mas pegando "carona" na postagem anterior, na qual indico algumas leituras, incluindo "A abolição do homem" de C. S. Lewis, lembrei de algumas reflexões que o escritor irlandês faz sobre a educação. Escolhi alguns trechos que mais me chamaram atenção. Vale a pena conferi-los na íntegra!

"O dever do educador moderno não é o de derrubar florestas, mas o de irrigar desertos. A defesa adequada contra os sentimentos falsos é inculcar os sentimentos corretos. Ao sufocar a sensibilidade dos nossos alunos, apenas conseguiremos transformá-los e presas mais fáceis para o ataque do propagandista. Pois a natureza agredida há de se vingar, e um coração duro não é uma proteção infalível contra um miolo mole" (LEWIS, 2012, p. 12)


"Se eles optarem por esse caminho, a diferença entre a educação antiga e a nova será muito significativa. Enquanto a antiga promovia uma iniciação, a nova apenas 'condiciona'. A antiga lidava com os alunos da mesma maneira como os pássaros crescidos lidam com os filhotes quando lhes ensinam a voar; a nova lida com eles mais como o criador de aves lida com os jovens pássaros - fazendo deles alguma coisa com propósitos que os próprios pássaros desconhecem. Em suma, a educação antiga era uma espécie de propagação - homens transmitindo a humanidade para outros homens; a nova é apenas propaganda" (LEWIS, 2012, p. 21)

"Não é o excesso de pensamento que os caracteriza, mas uma carência de emoções férteis e generosas. Suas cabeças não são maiores que as comuns: é a atrofia do peito logo abaixo que faz com que pareçam assim. E todo o tempo - tal é o caráter tragicômico da nossa situação - continuamos a clamar por essas mesmas qualidades que tornamos impossíveis. Mal podemos abrir um periódico sem topar com a afirmação de nossa civilização precisa de mais 'ímpeto', ou dinamismo, ou auto-sacrifício, ou 'criatividade'. Numa espécie de mórbida ingenuidade, extirpamos o órgão e exigimos a sua função. Produzimos homens sem peito e esperamos deles virtude e iniciativa. Caçoamos da honra e nos chocamos ao encontrar traidores entre nós. Castramos e ordenamos que os castrados sejam férteis" (LEWIS, 2012, pp. 23-24).

Assim, C. S. Lewis aponta alguns sérios desafios para todos nós que somos educadores enquanto pais e instrutores/professores (na concepção do Prof. Armindo) nessa sociedade tão plural e diversa que tem se tornado tão difusa e em alguns momentos, indecifrável!

De um professor que não pretende mudar o mundo, mas que tenta ajudar a construir esse mundo!

Um comentário:

Saint Clair Lira disse...

Meu Amigo, Colega e Irmão, que agradável sua reflexão... realmente dividir realidades como essa, que vão na contramão do atual e hegemônico sistema de contra-valores (agora subsidiado pelo PNE), nos dão mais um "ar" de esperança, nos motivam a continuar plantando árvores (no deserto, como Cita o Autor), conscientes de que a colheita é em um mundo transcendente, que mesmo não o compreendendo em sua plenitude, temos a certeza que é REAL, fundamentados na Promessa de Jesus Cristo, nosso Senhor. Sou admirador de sua Atividade e de seu Exemplo de Família. Um Feliz Advento e Nascimento do Cristo.