quarta-feira, 11 de julho de 2012

O paradoxo da excelência

Gostaria de partilhar hoje sobre o último livro que tive a oportunidade de ler. "O Paradoxo da Excelência" dos autores David Mosby e Michael Weissman (recomendo para os administradores que porventura leiam esta postagem) abordam de forma bem interessante como um ótimo desempenho pode acabar com determinada empresa. Lembro que não necessariamente leio apenas livros apologéticos ou de espiritualidade, mas também livros sobre gestão empresarial e assuntos afins, pois sou administrador por formação e atuo também como professor nessa área. Nesse sentido, o vocabulário acadêmico "corporativo e empresarial" também faz parte do meu cotidiano.Sendo assim, gostaria de fazer uma analogia do assunto que li com a nossa vida espiritual. Vamos lá!

Inicialmente, os autores abordam um tema empresarial de maneira incomum, ou seja, geralmente os livros acadêmicos são "abarrotados" de teorias e citações que fazem parte da estrutura própria da academia, todavia, "O Paradoxo da Excelência" trata do tema de forma "romanceada", através de um diálogo entre situações e pessoas fictícias. Enfim, o assunto ficou bem claro e perceptível mesmo para um leitor que não seja da área.

Sabe-se que as empresas buscam melhores desempenhos e constantemente pautam suas ações na excelência, entretanto, os autores mostram como essa ideia pode desencadear frustrações para as empresas, por isso o termo "paradoxo" do título. Segundo o dicionário Aurélio, paradoxo é a "afirmação que vai de encontro a sistemas ou pressupostos que se impuseram como incontestáveis ao pensamento", isto é, nem sempre a excelência que se busca é realmente enxergada ou experimentada por todos os atores envolvidos nas negociações (digamos os gestores de uma empresa e seus clientes). Vale destacar que as percepções são diferenciadas...

De acordo ocm Mosby e Weissman (2006, p, 47), "o paradoxo da excelência é o seguinte: à medida que nosso desempenho melhora, tornamo-nos mais invisíveis para os clientes - para qualquer coisa, menos para os problemas. Em consequência, os clientes perdem de vista a verdadeira qualidade que fornecemos porque esquecem os problemas que eliminamos. A realidade é estranha, mas verdadeira". Dessa forma, nem sempre as ações "excelentes" que achamos que desenvolvemos realmente são (percebidas) pelos clientes como tais, entendem? Por isso, a necessidade de "reforçar" essa excelência junto ao cliente, expondo os motivos reais (com indicadores de desempenhos, comparativos entre os concorrentes, conversas mais diretas com os clientes reais, etc.). 

Engraçado como as coisas são ou parecem ser... Além de buscar a excelência, as empresas precisam comunicar honestamente o desempenho realmente existente, o que não quer dizer que estou falando de uma "autopromoção barata".

Mas o que tudo isso tem a ver com nossa vida espiritual? Ora, tenho que "prestar contas" aos outros daquilo que realmente faço? Precisa Deus ser comunicado pelo que estou na verdade fazendo? Essas e outras perguntas podem estar pairando sobre sua mente nesse instante... Mas tenha calma!

O que quero aqui tratar é sobre o tal do "paradoxo da excelência", principalmente quando nos relacionamos com os amigos e especialmente com Deus. Quem nunca se questionou quando por um deslize falhou com alguém: "Puxa vida, durante anos fui fiel a nossa amizade, e só porque cometi essa 'gafe' você vem me crucificar? Como pode alguém 'tão santo', que vive na igreja, cometer uma atitude dessa? Não era ele aquele coordenador que vivia passando 'carão' e lição de moral em todo mundo? E agora, o 'santinho do pau oco' revelou-se?"

E por aí vai...

Até Nosso Senhor Jesus Cristo acaba "levando a culpa" nessa história: "Como é que Deus permite uma doença dessas na minha vida? Por que ele morreu tão cedo? Ah, Senhor, como sois ingrato em me deixar na miséria..."

Percebam meus amigos, nós também "sofremos" desse paradoxo da excelência, ou seja, temos o hábito de evidenciar demasiadamente as falhas dos outros, além de condicionar Deus a falhas (o que é ilógico, concorda?). Deus nos dá tantas graças que na primeira oportunidade de "sofrimento", bradamos aos céus a "ineficiência" divina, sem contar tantos outros resmungos típicos do homem. Vejam que em muitos momentos das nossas vidas, preferimos dar mais valor aos problemas ou a algumas atitudes incoerentes dos nossos irmãos e amigos. Esquecemos facilmente as inúmeras oportunidades em que estes nos revelaram a face maravilhosa de Deus. Eis uma das condições miseráveis do ser humano - valorizar demais as falhas dos outros. Por que é tão fácil apontar os defeitos alheios? Esquecemos dos nossos?

Aqui não precisamos utilizar os "remédios" empresariais como a comunicação honesta de suas ações/desempenho, mas aceitar a condição de criatura frágil e pecadora. Só assim teremos condições de aceitar os outros como eles realmente são - fracos e pecadores - mas também filhos e filhas de Deus, como nós também somos! Que Deus nos conceda a graça de sermos mais humanos e capazes de aceitar a fraqueza humana, mas não sucumbindo nela, pelo contrário, é na fraqueza que somos mais fortes (II Cor 12,10).

De um indigno escravo da Cruz e da Virgem Maria

Um comentário:

joandson araujo disse...

muito bem comparada Danilo o Paradoxo da Excelência com a vida Cristã afinal ambas precisão ser bem administradas..