Já comentei neste blog a respeito das "incoerências" encontradas em alguns meios científicos/acadêmicos a respeito da utilização das células-tronco adultas/maduras. A notícia abaixo (http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,britanico-e-japones-dividem-o-premio-nobel-de-medicina,942409,0.htm) fala sobre os ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina em 2012, que através de suas pesquisas descobriram que células maduras ou adultas podem ser reprogramadas para se tornarem pluripotentes.
Na época da votação no STF da permissão (ou não) para utilização das células tronco embrionárias (meados de 2008), vários argumentos foram defendidos enfatizando a "exclusividade" dessas células-tronco para diversos tratamentos que até hoje ninguém soube de nenhum resultado (a não ser alguns desastrosos como já revelado naquela ocasião). Vale destacar que a destruição das células tronco embrionárias corresponde a destruição de embriões, ou seja, vidas são ceifadas na sua forma mais "primitiva" possível.
Acompanhei alguns jornais ontem a noite (08 de outubro - Dia do Nascituro!!!) e encontrei algumas notícias sobre essas pesquisas do britânico e japonês, mas como de costume, não evidenciam que a descoberta ocorreu com CÉLULAS-TRONCO ADULTAS!!! Aqui a uma grande diferença, sendo que as células-tronco adultas não parte da premissa de destruição de embriões (vidas!), mas de utilizar células-tronco dos próprios pacientes, como já há vários casos de sucesso no meio científico com essas pesquisas e tratamentos aqui no Brasil.
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Segue a notícia na íntegra:
O britânico John Gurdon, da Universidade de Cambridge, e
o japonês Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, foram laureados
nesta segunda-feira, 08, em Estocolmo (Suécia), com o Prêmio Nobel de
Medicina. O anúncio foi feito às 12h locais (7h de Brasília) pelo
Comitê Nobel.
Os pesquisadores foram premiados por pesquisas complementares que
"descobriram que células maduras podem ser reprogramadas para se
tornarem pluripotentes", de acordo com Goran Hansson, secretário-geral
do Comitê Nobel.
Gurdon, de 79 anos, descobriu em 1962 que a especialização das
células é reversível. Numa experiência clássica, ele substituiu o núcleo
celular e maduro de uma célula do ovo de uma rã pelo núcleo de uma
célula intestinal madura. Esta célula do ovo modificada deu origem a um
girino normal. O DNA da célula madura tinha ainda toda a informação
necessária para desenvolver todas as células da rã.
Mais de 40 anos depois, em 2006, o japonês Ymanaka, de 50 anos,
descobriu com as células maduras intactas em ratos podiam ser
reprogramadas para se transformar em células-tronco imaturas.
Surpreendentemente, ao introduzir apenas alguns genes, ele conseguiu
reprogramar células maduras para que estas se transformassem em
células-tronco pluripotentes -- ou seja, células imaturas que
conseguiram se transformar em todos os tipos de células do corpo.
"Essas descobertas revolucionárias mudaram complemente a maneira como
vemos o desenvolvimento e especialização celulares. Compreendemos agora
que as células maduras não têm de estar confinadas para sempre ao seu
estado especializado. Livros foram reescritos e novas áreas de pesquisas
foram estabelecidas. Ao reprogramar as células humanas, os cientistas
criaram novas oportunidades para estudar doenças e desenvolver métodos de
diagnóstico e tratamento", disse Hansson.
José Eduardo Barella, enviado especial a Estocolmo (Repórter viajou a convite do governo sueco)
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